ACERCA DA NOVA MATERNIDADE DE COIMBRA…

Menos de 48 horas transcorridas desde a publicitação na internet da petição “NÃO À MATERNIDADE NO ESPAÇO DOS H.U.C” – http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89236 -, eis que esta já ultrapassa 580 signatários.

Poder-se-á questionar o porquê desta espontânea inquietação cidadã.

Ela dever-se-á, quero crer, ao anúncio recente feito pelo Presidente do CHUC, na presença do Ministro da Saúde, de que a nova maternidade de Coimbra, prometida há já mais de meia dúzia de anos, será edificada dentro da “cidadela” dos HUC – zona dramaticamente congestionada, porque sem local para paragem e estacionamento, com uma rede de transportes públicos muito aquém do satisfatório e com vias de acesso incapazes de drenarem o trânsito fora mesmo das horas de ponta.

Evidente se torna, por isso, antecipar-se que a edificação desta nova estrutura assistencial, de média dimensão, irá acrescentar ainda mais caos ao  caos atual.

E não será o também prometido silo automóvel que irá resolver o problema do acesso. Poderá aliviar, em parte, o estacionamento que, entretanto, se verá também amputado como resultado da construção de mais um edifício neste perímetro.

Acresce que os próprios serviços clínicos dos HUC já hoje se encontram, também eles, saturados e com défices de resposta por força da desastrosa concentração de serviços decorrente da fusão dos HUC e do CHC – o famigerado CHUC.

Dou razão aos agora decisores, é verdade, quando argumentam que uma nova maternidade deverá dispor em proximidade de todos os serviços clínicos de apoio às situações de emergência não obstétrica a grávidas e parturientes.

Assim sendo, das duas uma: ou se opta pelo enxerto de mais caos no caos dos atuais HUC, ou há que partir-se para soluções diversas, viáveis e economicamente suportáveis. Garantindo-se, sempre, a melhor qualidade na assistencial.

E uma vez aqui chegados eis que a resposta surge com a maior naturalidade: porque Coimbra já dispõe de um hospital central dotado de urgência polivalente, com serviços de reanimação e cirurgia qualificados, com meios complementares de diagnóstico e restantes serviços de apoio e, aí mesmo, dispõe de terrenos utilizáveis para a implantação da nova maternidade.

Onde?

No perímetro do Hospital Geral, vulgarmente conhecido por Hospital dos Covões.

Bem sei que alguma “aristocracia médica”, chamemos-lhe assim, bem como uma parte da administração da saúde sempre olharam este hospital como um “patinho feio” que era preciso abater.

Esses mesmos que com a criação do CHUC, insidiosamente, trataram de o desqualificar e de iniciar o seu desmantelamento, mesmo que ele contasse/conte com reputados serviços que sempre fizeram sombra à “catedral”.

Fundir os HUC e os CHC, da forma atabalhoada como foi feito, foi um erro crasso e irresponsável com o qual quase ninguém concordará. Persistir no erro, ao instalar-se nos HUC a nova maternidade, será perpetuar-se o caminho da asneira.

A decisão acerca da localização da nova maternidade de Coimbra não é uma questão que possa esgotar-se nas conclusões de um relatório de “peritos”, nunca divulgado e colocado à discussão pública.

Porque esta é uma questão cidadã!

Não permitamos, por isso, que a cidadania seja afastada duma questão tão estruturante para a nossa cidade e região.

Dar voz aos cidadãos é agora, por isso, o desígnio necessário!

 

António Rodrigues, Médico de Família, apoiante do Movimento “Cidadãos por Coimbra”.

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