COIMBRA E AS ACESSIBILIDADES

Coimbra teve, na sua história, uma enorme relevância nas comunicações inter-regionais e na coesão territorial do país. A antes designada EN 1 fazia a ligação ao Porto, a Aveiro, a Leiria e a Lisboa. Pela Estrada da Beira (EN 17), Coimbra acedia à Guarda e à Espanha. Através da EN 102 – que de Celorico da Beira ia até Macedo de Cavaleiros – Trás-os-Montes ligava-se a Lisboa, por Coimbra. Pela EN 339 chegava-se à Covilhã, através da Serra da Estrela. A Viseu íamos pela EN 234 e pela EN2, através da Mealhada e de Santa Comba Dão.

Quanto à ferrovia, a Linha do Norte ligou Lisboa ao Porto, em 1877, com passagem por Coimbra. A Linha da Beira Alta, inaugurada em 1882, ligou a Figueira da Foz e o seu porto a Vilar Formoso, seguindo pelo vale do Mondego. Estes dois eixos ferroviários, fulcrais para o país, cruzavam-se na Pampilhosa. Aquilo que veio, posteriormente, a chamar-se Ramal da Figueira da Foz, por Cantanhede, foi encerrado à circulação de comboios em 2009. O mesmo sucedeu com o Ramal da Lousã, inaugurado em 1885 e encerrado em 2010. Hoje, a Figueira da Foz continua ligada a Coimbra por Alfarelos. Acontece que, neste troço entre Alfarelos e Coimbra, passam os comboios da Linha do Oeste, que liga Lisboa a Coimbra mais perto do litoral, os que provêm da Figueira da Foz e os da Linha do Norte, o que tem sido apontado como produzindo uma enorme sobrecarga neste percurso, sem qualquer redundância, o que estava garantido com o Ramal da Figueira da Foz acima referido.

Temos ainda na região os importantes portos da Figueira da Foz e de Aveiro, este último já com uma ligação eletrificada à Linha do Norte.

Coimbra, até ao último quartel do séc. XX e nesse contexto, desempenhou um papel decisivo nas acessibilidades rodoviárias, ferroviárias e marítimas entre as mais importantes cidades e seus territórios da região centro. Após as alterações referidas nas redes rodoviária e ferroviária, o que temos de novo? O acentuar da dominância dos eixos norte-sul no litoral e a progressiva degradação das ligações deste eixo a partir de Coimbra a todo o interior. Coimbra não está ligada à Covilhã nem a Castelo Branco – o IC6 nem ao limite do distrito chegou. Não está ligada, de forma segura, a Viseu, nem à Guarda, nem a Trás-os-Montes, nem a Espanha. A agravar a situação, a primeira etapa destas ligações é invariavelmente feita através de dezenas de quilómetros no perigosíssimo IP3. Esta situação tem que ser urgentemente revertida. Não se trata duma questão local, mas intermunicipal e, sobretudo, nacional. Compete aos nossos autarcas e a toda a população comprometerem-se num caminho coerente e concertado, para uma estratégia valorizadora da região de Coimbra, como polo charneira de múltiplas acessibilidades entre o litoral e o interior de Portugal.

Nesta perspetiva, o CpC observará criticamente os estudos sobre o aeroporto da região. Não se acomodará se eles encobrirem falta de iniciativas e de combatividade quanto aos problemas acima referidos.

 

José João Lucas, Movimento ‘Cidadãos por Coimbra’

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