COMO SERÁ COIMBRA EM 2060?

De acordo com projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE), feitas com base em 4 cenários que variam nos seus graus de pessimismo, a população de Portugal em 2060 situar-se-á entre os 9,220 milhões e os 6,340 milhões, ou seja, diminuirá entre 1 e 4 milhões. Por sua vez, acentuar-se-á o aumento da população idosa (36 a 43%, face aos atuais 21%), a diminuição da população jovem (9 a 13%, face aos atuais 14%), e a diminuição e envelhecimento da população ativa (48 a 51%, face aos atuais 65%).

Pois bem, a evolução demográfica no nosso concelho ilustra este panorama: Coimbra perdeu de modo continuado mais de 13800 residentes nos últimos 17 anos! Continuando com dados do INE, o número de habitantes com menos de 14 anos idade baixou 4 mil, os habitantes com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos são menos 17,6 mil e o número de habitantes com mais de 65 anos de idade aumentou quase 8 mil. Está, portanto, a acontecer. Em Coimbra, somos menos e mais velhos.

Não se sabe como será Coimbra daqui a 40 anos. Não há forma exata de saber. Mas não se pode deixar de imaginar Coimbra face aos indicadores, se não forem projetadas políticas públicas que controlem as tendências demográficas instaladas. Sobretudo não podemos ausentarmo-nos de desenhar a cidade que queremos para o futuro.

Os desafios que se colocam ao concelho de Coimbra são diversos e requerem trabalho e respostas. Agora. Desde logo, com políticas que reforcem a competitividade e atratividade da cidade e do concelho, para travar a emigração e criar bons motivos para reforçar a imigração. Para isso serão fatores determinantes: desenvolvimento da indústria e o emprego; o reforço na qualidade do ensino e dos serviços de saúde; o reforço da cultura e coesão social; a revitalização do espaço urbano; o investimento na mobilidade urbana sustentável, nomeadamente direcionada para transportes públicos e ciclovias; a requalificação de espaços de lazer, prática desportiva e de exercício físico; o aumento do investimento na qualidade dos espaços verdes e a relação da cidade com os recursos naturais. Mas que políticas locais e regionais estão em cima da mesa? Silêncios.

Voltemos a Coimbra em 2060. Estará o concelho preparado, ou a trabalhar, para recorrer a tecnologias limpas e usufruir da era digital em infraestruturas e serviços? Será a nossa Coimbra de 2060 um concelho de jardins de infância, escolas, bibliotecas, tribunais, lares de terceira idade, centros de saúde e hospitais, a partir de plataformas inteligentes facilitadoras, sem comprometer a proximidade e qualidade de vida dos seus cidadãos?

Estes e outros desafios urbanos em Coimbra, intimamente associados à demografia, requerem discussão alargada e a ambição em nada notáveis na autarquia. A respostas a estes e outros desafios urbanos em Coimbra são urgentes e requerem ser trabalhadas em conjunto, no terreno.

O futuro de Coimbra passa por ter uma autarquia dialogante com a cidade! O caminho é longo e estamos cá para o fazer. Quatro décadas é já ali!

 

Adelino Gonçalves; Professor Universitário; Movimento Cidadãos por Coimbra.

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