Desencolher os Ombros

Ao prepararmos a reunião da Assembleia Municipal e mesmo contando já com o esperado discurso de comprazimento do senhor Presidente da Câmara, o que nos envolveu foi a atmosfera de imobilismo, a ausência de força empreendedora, a redução da ação política à conformidade. E encolhemos os ombros – o que mais poderíamos esperar?

Tudo o que tem mobilizado a cidade parece ter passado ao lado dos poderes autárquicos, satisfeitos nas suas rotinas: o caso Escola José Falcão, o caso Repúblicas, o caso CTT, o caso da maternidade ou da sobrelotação da prisão. Ou ainda os não casos de “Coimbra capital europeia da cultura”, do aeroporto regional, das estações centrais e nodais dos comboios e autocarros, do “metrobus”, do romper do paredão insólito em que termina a A14, do eclipse da parceria municipal no Programa Nacional de combate ao insucesso escolar…

Bem sabemos que também este nosso discurso sofre de imobilismo, mas não podemos fazer de conta que não damos conta.

À Assembleia Municipal chegam-nos atos burocráticos: indicar 3 elementos para a Comissão Técnica do Orçamento Participativo; indicar 5 elementos para a Comissão Municipal de Defesa da Floresta; dar autorização formal a minutas de contratos a celebrar com as freguesias; conceder declaração de interesse público para a construção de uma ponte em reserva natural – a ponte do Paço.

E então desencolhemos os ombros:

– um orçamento participativo com cerca de 5 milésimas do orçamento global de investimento, dirigido apenas ao centro histórico, impedindo associações de concorrerem, e separando-o em duas fatias – uma maior para seniores e outra menor para jovens, não traduz claramente uma opção política de investimento na participação cívica; é um simulacro para não destoar na tendência e pode ter um efeito exatamente inverso, se os cidadãos disso derem conta;

– uma Comissão Municipal de Defesa da Floresta e um papel determinante das Juntas de Freguesia na aplicação das novas determinações de proteção contra incêndios faz todo o sentido, mas não se veem assegurados os meios para que tal aconteça verdadeiramente – parece mais um simulacro, mas com risco elevado de prejuízo;

– uma ponte adequada às necessidades de tráfego, embora em zona de reserva natural, merece estatuto de interesse público, mas é preciso perceber e assumir que preservar os ecossistemas e a biodiversidade também é do maior interesse público e, por isso, não há como ignorar as recomendações das instituições tutelares nessa matéria.

Graça Simões, deputada municipal do CPC

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