Moção de censura PSD

Sim, este Executivo mantém a sua postura autocrática, barricada numa estratégia pessoal e partidária que nada dignifica a democracia, nem as oportunidades de o poder autárquico fazer valer os interesses do Concelho de Coimbra e a qualificação da vida no local. O CpC sempre o vem dizendo, sendo mesmo uma das razões fundadoras do Movimento.

Sim, estratégia é palavra vã ou esvaziada de sentido em documentos formais que só existem porque a lei obriga. O que se vê, o que se continua a ver, é uma gestão doméstica, que se enraíza em passados mais do que projeta futuros, com assomos de projetos de grandeza, que alimentam os folhetins da imprensa local, mas não se traduzem em políticas realmente articuladas e mobilizadoras da sociedade.

Sim, é evidente que Coimbra é nuclear no desenvolvimento regional e que se espera a sua participação em rede no quadro da descentralização, garantindo autonomia no firmar de um desenvolvimento contextualizado e gerador de igualdade, sem encolhas perante menor escala demográfica ou económica de partida, mas também sem sobrancerias fundadas em ascendentes históricos ou em redes de influência.

Sim, são muitos os projetos que vão transitando nos Orçamentos, apenas com células abertas nos mapas ou com taxas de execução ínfimas, criando a ilusão de que anda o que continua parado – não apenas o desenvolvimento económico por si, mas toda a qualificação do lugar, numa sinergia contínua e de efeito multiplicador, como tem acontecido em alguns outros municípios.

Sim, a reabilitação urbana pode e deve ser um dos núcleos desta sinergia, onde seria necessária uma clara estratégia política que combinasse os objetivos patrimoniais, culturais, sociais e económicos, devidamente encaminhada e aberta ao debate público.

Sim, a descentralização para as freguesias não pode fazer-se mediante minutas mínimas de delegação de competências, com verbas mínimas de gestão merceeira, dependentes sempre de conversações privadas com assimetria de poder entre as partes contratantes.

Sim, há projetos estruturantes que serão tão importantes para Coimbra e região, como para toda a coesão e desenvolvimento nacional, esperando-se empenho, firmeza e consistência do poder local na sua concretização.

Sim, as questões sociais não podem ser tratadas como excrescências do sistema e a educação como uma despesa benfeitora mais ou menos generosa. É de investimento que devia tratar-se, com clara definição de objetivos e metas para se avaliar o caminho percorrido. O Projeto Educativo Concelhio, incluindo a Carta Educativa que enuncie e projete a rede de equipamentos e recursos e faça a sua devida alocação é absolutamente urgente, mais ainda numa antecipação da descentralização do setor.

Sim, Coimbra tem ainda tudo para não ter que voltar atrás nas políticas ambientais de relação respeitosa com a natureza, podendo facilmente assumir-se como território de referência na aplicação de soluções inovadoras e brevemente incontornáveis no quadro das emergências já comprovadas.

Sim, como sempre temos dito, a cultura não pode ser a cereja no topo do bolo em dias de festa. A cultura é pão para a boca nestes tempos pós-industriais, em que o trabalho não é mais apenas braçal e a vida aspira a felicidade terrena.

Sim, a insatisfação é geral e o CpC sempre tem feito eco dela. Valorizamos esta iniciativa da Moção enquanto instrumento de alerta e divulgação, mas, além de questões concretas que não subscrevemos, há pelo menos três aspetos gerais em que nos distanciamos:

– o 1º é a oportunidade: passou apenas um ano de ação deste Executivo e ainda que nada prometa a mudança, desde logo a partir da análise do Orçamento e das Grandes Opções do Plano, pensamos ser prematura esta iniciativa, explorando apenas uma oportunidade partidária local.

– o 2º é a legitimidade, uma vez que o PSD detém 3 vereadores neste Executivo e ainda que compreendamos a desvantagem da não atribuição de pelouros e a dificuldade de interlocução com o Presidente, será sempre possível um maior empenho na combatividade interna a esta barricada. Mais ainda, é preciso não esquecer a alternância paritária entre PSD e PS nos Executivos, desde 1976, e a linha de continuidade deste “estado das coisas”.

– o 3º é a intencionalidade: percebemos como esta Moção se insere no jogo político inter-partidário, a nível local e nacional, consubstanciando exatamente o que contestamos – a instrumentalização da política pela vontade de poder e não no seu sentido genuíno que queremos recuperar, ou seja, pela defesa do interesse comum e dos cidadãos. Como referido antes, nestes 23 anos de governo PS e 19 de PSD encontram-se mais semelhanças do que diferenças e, como tal, tudo faremos para desmontar a linha desta alternância. Recuperando uma ideia da fundação do Movimento Cidadãos por Coimbra, atribuída a Einstein: “ Loucura é repetir a mesma coisa vezes sem conta e esperar resultados diferentes”.

Por tudo isto, a nossa posição será de abstenção.

 

Coimbra, 14 de dezembro de 2018

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s